14 de julho de 2012

Resenha de cd: Rush - Clockwork Angels (2012)


O Rush sempre foi uma banda que surpreendeu desde o começo quando se apresentou ao mundo do rock como uma banda de progressivo na década de 1970, depois na década de 1980 a surpresa ficou por conta da exploração que a banda fez no New Wave, Reggae e depois na década de 1990 voltou-se a explorar o hard rock, mas desta vez o teclados ficaram em segundo plano porque o power trio privilegiou uma sonoridade mais direta e crua  e isso não significou que os teclados desapareceram muito pelo contrário eles ainda estão lá mas não como antes. 



Geddy Lee, Alex Lifeson e Neil Peart entraram com o pé direito na primeira década de 2000 gravando dois álbuns muitos bons, pois além das características continuarem presentes na sonoridade o hard rock, o progressivo apresentam sua faceta mais pesada e moderna, pois foi necessário adequar o som para a atual realidade do cenário, mas quando trata-se do Rush nada é  impossível. 


Em julho de 2010 lançam o single com as faixas Caravan e B2UB e isso já deixava bem claro que outro álbum de estúdio já estava a caminho pronto para sair do forno, mas devido a alguns contra tempos o Clockwork Angels só foi lançado recentemente, mas o álbum veio na melhor tradição do grupo canadense, ou seja veio pesado direto com a pompa do progressivo que está espalhado pelo álbum, e nas doze faixas podemos escutar o som moderno e encorpado que nunca enjoa, pois cada audição quando você quer ouvi-lo novamente, novamente e novamente. 

Clockwork Angels é um álbum difícil de se definir, pois o álbum mescla o hard rock cru e direto, com o progressivo sem exageros e até parece que foi tudo feito com um conta gota para que nada saísse fora do programado, pois desta vez o power trio canadense acertou em cheio a receita desse bolo que pode ser degustado sem se preocupações, pois o ouvinte não terá nenhum dissabor. 

    
Desde a primeira faixa, "Caravan" o ouvinte já irá entender porque o Rush é uma banda que surpreende com facilidade, pois além de ser uma faixa que provoca arrepios ela trás o melhor desses três caras, que estavam totalmente inspirados quando a gravaram para mim um dos grandes momento desse álbum. Na verdade quando você coloca esse álbum para rodar você tem a nitída sensação de estar retornando para a década de 1970, quando esses caras soltaram pérolas como: Fly By Night (1975), 2112 (1976) e Farewell To Kings (1977), pois todos os elementos fundamentais do Hard/Prog estão aqui no melhor estilo e forma. 

Já as faixas Headlong Flight, The Anarchist se encarregam de deixar essas portas escancaradas, revelam o som místico e espiritual uma viagem insólita, emotiva também e passional de uma maneira não dramática, mas simples que eleva a banda e os ouvintes e os colocam no mesmo plano, pois é possível dialogar através das letras, das melodias que fazem deste álbum um trabalho diferenciado embora a banda tenha permanecido na sua zona de conforto mantendo-se firme na proposta sonora atual o disco quem sabe não pode se tornar mais um clássico da extensa discografia do grupo. 


Assim como a banda fez em Tom Sawyer (baseada na obra de Mark Twain, as aventuras de Tom Sayer), faixa clássica que abre o álbum mais bem sucedido da carreira da banda Moving Pictures (1981), desta vez a obra literária utilizada foi o Cândido de Voltaire (filosofo iluminista do século XVIII), cuja tese é contestação do otimismo e a crítica a ganância, as religiões e mistura esperteza e ingenuidade, violência, amor e ódio. Mas o assunto não acaba ai, pois um escritor de ficção cientifica chamado Kevin J. Anderson, amigo pessoal do baterista Neil Peart está escrevendo um livro sobre o assunto, mergulhando de forma mais complexa na trama criada pelo baterista que no caso se inspirou na obra do filosofo francês para contar a história de um menino que vive em um mundo paralelo em busca de realizar seus sonhos. 

O Rush sempre foi uma banda complexa, que sempre buscou trazer a tona temas reflexivos e levar os seus fãs a viajar junto com a banda e a buscar as respostas de maneira individuais sobre o seu objeto de reflexão colocando-o em paralelo com a realidade, e através da sonoridade que obedece e se completa com as parte líricas, verdadeiras obras de gênio neste e nos outros casos passados que este trio se lançou a criar e agora um novo capítulo é entregue aos fãs, enfim mais uma obra de arrepiar os cabelos. 

        
E por tudo isso que já foi escrito eu não tenho nenhum dúvida, que Clockwork Angels figure nas listas de melhores do anos tanto dos fãs como dos jornalistas, pois aqui o Rush olha na direção do futuro sem se esquecer de suas origens, fonte de inspiração muito bem revisitada sempre buscando as soluções práticas para compor faixas de peso, relevantes e cativantes que comprovam que o entrosamento perfeito entre habilidade e honestidade. 

As quatro décadas de carreiras e a extensa discografia falam que é o Rush de verdade cujo tempo passa, a banda envelhece simbolicamente, pois a qualidade ainda se faz presente coisa que muitas bandas inciantes e não iniciantes deveriam procurar aprender essa fórmula quase mágica, que tem seus encantos e jamais deixou ou deixará de encantar seus fiéis e apaixonados fãs. 

 Nota: 8.5




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