28 de agosto de 2012

Matérias Traduzidas: A Maldição do Lynyrd Skynyrd



Deus sabe que o Lynyrd Skynyrd tinha visto isto chegar. No vôo da Florida para a Carolina do Sul, a banda embarcou num avião Convair CV-240 para poder dar prosseguimento a turnê norte americana e durante o vôo a turbina a estibordo começou deitar chamas alaranjadas, Os dois pilotos não mostraram reação alguma, ou seja, nem se incomodaram com ocorrido apenas disseram insistentemente que aquilo não era nenhum problema. Mas no momento em que desembarcaram em Greenville, alguns estavam assustados demais e foi o suficiente para que reservassem vôos comerciais para o seu próximo destino.



No dia seguinte, o líder Ronnie Van Zant decidiu embarcar novamente para o show daquele noite em Battom Rouge, na Louisiana. Em vez do credo “Skynyrd todos por um”, o resto das 26 pessoas – membros da banda e equipe de estrada – seguiram o exemplo. Pisando a bordo do avião no final da tarde de 20 de outubro de 1977, Van Zant virou-se para o segurança Gene Odom: “Vamos lá, vamos lá”, ele disse “Se é sua hora de ir, é a sua hora de ir”.


No ponto de partida, o Lynyrd Skynyrd foi se aproximando do seu auge comercial. No topo do cartaz no circuito de festivais ao ar livre da América, eles estavam querendo se igualar aos Rolling Stones em números de concertos. Street Survivors o quinto álbum – lançado três dias antes – provaria o seu valor tornando-se o  álbum mais vendido do grupo ganhando o certificado de multi-platina. “Nós queríamos ser os Rolling Stones da América”, diz o guitarrista e co-fundador Gary Rossington “queríamos ser a maior banda daqui” e “Eu acredito que estávamos no caminho certo”. 

Apenas um ato de Deus – digamos um terrível acidente aéreo – pode detê-los. Arremessado nos pântanos, o Skynyrd estava cortando a guitarra tripla estilo crosstalk e de simples sabedoria – que cavou profundamente o blues, o country e a alma Dixie – os marcou como a quintessência de colarinho azul, os campeões. Na década de 70 na América, eles não eram mais do que caipiras confederados, mas o compositor Ronnie Van Zant tinha sensibilidade crua e um enorme senso de justiça moral que foi diretamente contra os clichês.


O seu exemplo pode ser seguido por heróis modernos como Drive By Truckers no seu álbum Southern Rock Opera de 2001 que é um tributo ao Skynyrd. Metallica, Eminem, Kid Rock, Kings of Leon e My Morning, pois todos reconheceram a sua dívida. O KFC recentemente utilizou “Sweet Home Alabama” em seus anúncios, enquanto equipes americanas de notícias relataram terem ouvido os acordes de “Free Bird” que emana dos Strykers blindados nas ruas Mosul, no Iraque no início deste ano. Ao contrário dos contemporâneos do The Allmans Brothers ou do The Marshall Tucker Band, o Skynyrd está conectado em nível intestinal. “Nós éramos típicos rebeldes”, diz Rossington “Do lado errado da estrada”. Lá no Sul, onde fomos criados, era uma cidade difícil. Allen Collin, Ronnie e eu tínhamos esse sonho de formar uma banda de rock das grandes. Tivemos fogo, chamas em nossos olhos. “E nós prometemos e juramos que nunca iríamos parar até finalmente conseguirmos isso”.


Um grupo que partilhava dos mesmos interesses simplesmente abandonou a escola, em Jacksonville para começar um banda cujo início assemelhava-se a uma moeda de cinco centavos em 1964, envolvidos pela invasão da música britânica. Em 1972, depois de fazer incansáveis apresentações e mais dois singles de sete polegadas somando aio um rastro quase interminável de apelidos, eles tornaram-se o Lynyrd Skynyrd, mudaram apenas uma vogal do nome de um professor Leonard Skinner que os repreendia por terem cabelos cumpridos: Eles já tinham gravado várias demos, quando Al Kooper viu o Lynyrd Skynyrd em um bar em Atlanta, na Geórgia, enquanto procurava pelo som, ou seja, a marca do Sul. 

“Foi à música e a aparência deles que me pegou”, lembra Kooper, “Ronnie fez todos os tipos de truques no microfone e a sua arrebatadora performance totalmente descalço. A música que me pegou foi Ain´t The One”. “O ex- Blood, Sweet & Tears imediatamente ofereceu-lhes um contrato”. Eu vi “Free Bird” pela primeira vez como se fosse um garoto na platéia balançando a cabeça, e depois correr para tentar quebrá-la na parede.

Com Kooper no comando, o Skynyrd lançou o primeiro álbum Pronounced Leh-nerd Skin-nerd pela MCA Records, em 1973. Todos os riffs pesados e apertados com um som totalmente delinqüente, pois era pura música em estado bruto. Em “Simple Man” e “Things Goin’ On”, Van Zant atacou como letrista, com um toque comum, tornando-as o monumento de todas os homens, enquanto criticava a hipocrisia política que os mantiveram pobres. O seu cartão de visitas foi “Free Bird” – uma odisséia sonora de nove minutos construpída em torno de linhas de tirar o fôlego, o guitarrista Collins fez uma espiral em clímax de puro êxtase. Ansioso para disseminar a palavra, Kooper instigou uma turnê pelos EUA, apoiando a OMS. 

“Nós apenas saímos com armas em chamas”, explica o tecladista Billy Powell, “Nós queríamos explodir as portas. Em alguns lugares, o Lynyrd Skynyrd foi melhor que a OMS. Nós estávamos bebendo e agitando muito, como loucos rasgando camarins...”. Completa Rossington; “Nós éramos apenas uma banda que tocava em clubes, tocas e pubs para um público formado por adolescentes. Então, de repente, nós estávamos tocando em grandes estádios, em festivais ao ar livre para um público de trinta mil pessoas. E isso nos levou a beber. Nós bebíamos várias e várias doses de uísque todas as noites, estávamos com medo. Lembro-me de ser o meu aniversário, também. Eu tinha 22 anos e Pete Towshend com bebida e um bolo direto na minha cara. Foi um começo turbulento”. 


 Depois veio a descoberta, Lançado em julho de 74, “Sweet Home Alabama” rasgou o top 10, e atrás veio uma tempestade. A música de Southern Man de Neil Young fazia uma alusão ao racismo presente no sul, em Alabama e o assunto virou um sério debate uma que vez que a letra de “Sweet Home Alabama” tinha versos assim: “Bem eu espero que Neil Young lembre-se/O homem do sul “não precisa dele por perto de qualquer modo”. Longe de ser um manifesto caipira qualquer, porém a música era realmente uma defesa apaixonada, da língua, dos costumes do sul por parte de Van Zant, ou seja, não era uma declaração de guerra a Neil Young, pois tratava-se de um jogo de palavras interpostas.

Os Skynyrd estavam m em chamas. Second Helping foi novamente produzido por Al Kooper e vendeu horrores. E como Workin’ For MCA, Swamp Music, The Ballad Of Curtis Loew eram clássicos instantâneos “Ronnie Van Zant era um gênio”, afirma o terceiro guitarrista Ed. King “Suas letras falam do e para o homem que está nas ruas”. Rossington concorda: “Ronnie podia ser muito profundo. Ele sabia tudo sobre os homens da classe trabalhadora. Ele se expressou de uma ótima maneira com uma simples história”.

Ronnie Van Zant foi indiscutivelmente o líder da banda, mas havia um lado obscuro em sua presidência. “Ronnie jamais tiraria a camisa de suas costas para dar para alguém”, lembra Powell. “Mas ele também poderia ficar muito, mas muito legal e dócil quando ele estava bebendo – a síndrome Jekyll & Mr. Hyde. Lembro-me de discutir com ele uma vez, depois de uns whiskies, sobre o volume de Allen Collins se ajustar no palco. A próxima coisa que eu sei é que ainda tenho meus dentes, mas instantaneamente nocauteado. Foi assim que ele liderou a banda, mas ao mesmo tempo, se haviam problemas de fora ele ia lá e lutava por nós. Ele foi para a cadeia por nós algumas vezes. E quando ele veio para o negócio, ele estava sempre certo. Podíamos sempre confiar nele”. Rossington aprendeu a rolar com os perfuradores, também. Em Reeperbahn uma notória rua de em Hamburgo, ele ficou bêbado com Schnapps. “De alguma forma, uma garrafa foi quebrada e eu acabei com vários cortes em minhas mãos e nos pulsos a mesma coisa. Mas, no dia seguinte, éramos os melhores amigos de novo. Isso é como era, como acontece em uma família”. 

A verdade é que mesmo sendo parentes ou não, em 1975 à turnê foi demais para alguns. Ed King fugiu na calada da noite de Pittsburgh. “Tornou-se violento”, ele admite. “Praticamente todos os dias foram traumáticos. Mas eu só tinha um mai pressentimento e senti que deveria obedecer a vontade de sair quando eu quis”. Pó 77, porém, com quatro álbuns de estúdio e um duplo ao vivo, apertados em seus cintos, os Skynyrd que já contavam com o jovem Steve Gaines que havia gravado com a banda o Street Survivors “Steve trouxe uma nova maneira de tocar guitarra”, diz Powell. “E ele era um compositor extremamente habilidoso e talentoso, que nos trouxe uma série de novas idéias. Mas como ele estava começando, ele teve o tapete puxado da maneira mais grosseira e inimaginável possível”. 


“Eu me lembro de ouvir pessoas gritando ao meu redor”, relembra Rossington. “Havia helicópteros lá em cima com holofotes e eu estava sofrendo muito, pois eu estava muito ruim, gritando. Eu tinha um monte de ossos quebrados. Então, naturalmente, ele quebrou os nosso corações e assustou a todos nós descobrirmos que alguns estavam mortos”. “Estávamos chegando ao auge de nossa carreira”, diz Powell. “Então de repente, devido à negligência e erro do piloto, fomos reduzidos a nada. Ficamos muito tempo amargos sobre os fatos que se abateram sobre nós. Eu mergulhei num garrafa por um tempo. Eu não encontrei nenhuma resposta, mas a dor estava anestesiada. Ele teve um grande impacto psicológico sobre nós todos”. 

Na verdade, o desastre tem assombrado os sobreviventes ao longo de décadas. Em janeiro de 1986, Allen Collins bateu o seu carro em Jacksonville, matando a sua namorada e ficou paralisado da cintura para baixo. Ele confessou, ou seja, não contestou a acusação de ter cometido um homicídio por que estava dirigindo bêbado. Quatro anos mais tarde, após o abuso prolongado de álcool ele morreu de pneumonia. O baixista Leon Wilkeson foi preso por espancar a namorada dele em 1993. Em 1992, Pyle foi preso sob a acusação de ter abusado sexualmente de uma menina de quatro anos, embora mais tarde tenha sido solto. No ano seguinte ele recebeu a liberdade condicional por 8 anos por ter abusado duas irmãs e depois de se declarar culpado por atentado lascivo e comportamento indecente. Em setembro de 96, Powell foi acusado de violência doméstica, depois de supostamente ter atacado a sua esposa em sua casa em Jacksonville. Ele também escapou ileso dessa acusação.

Com a morte, a doença, ações judiciais e desentendimentos perseguindo a sua história pós-colisão, alguns tem sugerido que os Lynyrd Skynyrd são amaldiçoados, Mas, a banda foi reformado em 1987, depois de muita busca espiritual, com Rossington, Powell e Van Zant, irmão de Johnny Van Zant em seu coração – parecem estar imbuídos de um espírito indomável. E em março de 2006, os Skynyrd foram finalmente integrados ao Rock And Roll Hall of Fame, em Nova York.

“Teria sido um pecado não levara música”, diz Powell. “Nós vamos, enquanto podemos”, Rossington não está com dúvidas; “Depois de tudo o que passamos, estamos obtendo tudo de maneira mais forte e intensa ao longo desses últimos anos. Para ter Johnny lá agora é como ter parte de Ronnie lá.Você sente o espírito dele no palco conosco toda as noites”.                                







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